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18 de Agosto de 2017

LEI DE TALIÃO - Jovem Iraniana que teve rosto deformado ganhou na justiça o direito de cegar o agressor

Camila Freire Ribeiro, Estudante de Direito
Publicado por Camila Freire Ribeiro
há 11 dias

A iraniana Ameneh Bahrami, de 34 anos, ficou desfigurada depois que um colega de faculdade com quem ela se recusou a casar atirou ácido em seu rosto. Em 2011, ela ganhou na justiça o direito de aplicar a Lei de Talião, em que poderia se vingar cegando o agressor. Na última hora, ela desistiu de pagar o crime na mesma moeda.

Ameneh está lançando um livro sobre seu acidente e deu depoimento à Folha de São Paulo sobre o ocorrido: “Fiz faculdade de Engenharia Eletrônica. Em 2003, uma senhora me telefonou dizendo que tinha um filho que estudava comigo e queria me pedir em casamento. Ela me disse seu nome, Majid Movahedi, e então fui conferir quem era. Eu o conhecia de rosto, mas não sabia seu nome. Quando ela ligou de novo, contei que não estava interessada. Eu não ia com a cara dele e, além disso, ele um dia havia mexido comigo durante uma oficina de laboratório, tocando minhas coxas”.

Segundo a vítima, a pretensa sogra continuou telefonando, e chegou a dizer que seu filho era homem e, por isso, tinha direito de escolher quem desejasse para casar. Após meses recebendo ligações, Ameneh exigiu que a senhora parasse de telefonar. Ela respondeu que o filho iria se matar se não fosse correspondido.

“Eu só soube muito tempo depois que Majid vivia me seguindo e sabia todo tipo de informação a meu respeito, desde horários até nomes de colegas. Certa vez ele ligou dizendo que estava disposto a me matar se eu não me casasse com ele. Não levei a sério, até que um dia, em 2004, eu o vi me esperando na frente da empresa. Repeti que não o queria e contei que tinha um marido. Majid respondeu: É mentira, pois sei tudo a seu respeito. Case comigo ou vou arruinar sua vida.”, relembra.

Dois dias depois, Ameneh saiu do trabalho e caminhava pela rua quando sentiu alguém apressado atrás dela. “Deixei a pessoa me ultrapassar e vi que era Majid, com um frasco na mão. Ele atirou um líquido no meu rosto, e pensei que fosse água quente. Ele riu e saiu correndo. Minha vista escureceu. Logo senti uma queimação insuportável e entendi que o líquido que escorria pelo meu rosto não era água quente, mas ácido sulfúrico!”, lamentou.

“Doía muito e eu não enxergava nada. Trouxeram água e molhei minhas mãos e braços, mas foi pior, pois minha pele começou a ferver. Um homem me disse: Não leve a água à cabeça, senão seu rosto vai se desmanchar. Nem na clínica de queimados sabiam o que fazer comigo…”, relatou.

Com ajuda financeira do então presidente Mohammad Khatami, a moça foi se tratar em Barcelona, onde uma operação lhe permitiu recuperar 40% da visão do olho direito.

“Em 2007, peguei uma infecção num abrigo social e perdi de vez o olho direito. Foi aí que decidi voltar ao Irã para pedir a Lei de Talião [olho por olho, dente por dente, criada na Babilônia antiga]. A Justiça argumentou que a lei nunca era aplicada, mas, no ano passado, ganhei a causa. Majid já estava no hospital judiciário para ser cegado quando anunciei que o perdoava. Ele se jogou no chão e beijou meus pés. No fundo, eu nunca quis aplicar a Lei de Talião. Jamais poderia fazer isso, não sou selvagem. Eu queria mesmo chamar a atenção para o caso e evitar que outras pessoas passem pelo que sofri.”, garante.

Ameneh diz que o que importa agora é o dinheiro para seguir com o tratamento. Ela luta por uma indenização, mas a justiça iraniana não gostou quando a moça recuou da condenação do agressor.

Fonte: Mundo estranho

98 Comentários

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Não somos selvagem porém sou a favor do olho por olho, dente por dente. continuar lendo

Olho por olho, e o mundo acabará cego.
Mahatma Gandhi continuar lendo

Alguns pensamentos servem só para justificar alguns erros. continuar lendo

Mahatma Gandhi é o exemplo de que paz sem dor, não existe. continuar lendo

Você é não é selvagem, apenas não serve pra viver em sociedade, Bruno. Recomendo o exílio em alguma ilha distante, pra não ter que enfrentar esse paradoxo. continuar lendo

Olho por olho e dente por dente sim, por favor.

Esse sádico quando jogou ácido no rosto desta mulher, em ato ele demonstro que não reconhece a lei da não agressão, logo por que sua vítima deve puni-lo reconhecendo este direito a ele.

Qualquer punição que a vítima se propusesse a executar estando proporcional aos danos que sofreu é sim plausível.

Parem com mimimi, enquanto os agressores forem tratados com humanismo que lhes faltaram ao barbarizar suas vítimas continuaresmos a ver estas atrocidades contra mulheres crianças idosos e seja lá com quem for.
Ninguém tem o direito de agredir ninguém. Se o fizer sua punição tem que estar à altura dos danos causados. continuar lendo

Prefiro viver em sociedade com vc, Bruno, do q quem acha q não deve existir punição justa, à altura do crime cometido, pq esse tipo de gente é responsável pelo aumento de criminalidade, q foi alcançado por penas pífias ('humanizadas') e impunidade. continuar lendo

Sugiro que a Eunice pesquise (no Google mesmo) sobre quem foi de verdade Mahatma Gandhi, antes de utilizar seu "pensamento" como argumento. continuar lendo

Então, é selvagem sim. continuar lendo

Quando se vive em grupo (sociedade) existe limites. Ninguém tem direito nenhum de tirar a vida de alguém! Mais porque temos tanto assassinos ? É simples, a pessoa que mata hoje não tem a mesma pena.

São dois pesos e duas medidas. Pega um menor infrator, ele tem conhecimento que com ele não vai acontecer nada. Esse sim não deve viver em sociedade.

Se uma pessoa faz algo de ruim com uma outra, essa que sofreu tem todo o direito de fazer tal. A sociedade só será melhor quando o peso e a medida for igual para todos.

Nesse contexto a melhor frase no meu ponto de vista.

"“É bem mais seguro ser temido do que amado” continuar lendo

Zico, fico feliz e saber que algumas pessoas preferem esquecer o passado e da uma chance para o futuro.

A final o cara que fez isso ontem, pede desculpa hoje , e amanhã já está tudo certo.

É a sociedade que vivemos hoje!!! #ojeitoéviveremexílioemalgumailhadistante continuar lendo

O Brasil, com seus 60 mil homicídios/ano, não tem muito argumento diante de qualquer barbaridade pelo mundo afora. Cuidem primeiro dos problemas brasileiros. continuar lendo

Olho por olho e dente por dente sim, por favor. Qual o problema nisto?

Esse sádico quando jogou ácido no rosto desta mulher, em ato ele demonstro que não reconhece a lei da não agressão, logo por que sua vítima deve puni-lo reconhecendo este direito a ele.

Qualquer punição que a vítima se propusesse a executar estando proporcional aos danos que sofreu é sim plausível.

Parem com mimimi, enquanto os agressores forem tratados com humanismo que lhes faltaram ao barbarizar suas vítimas continuaresmos a ver estas atrocidades contra mulheres crianças idosos e seja lá com quem for.
Ninguém tem o direito de agredir ninguém. Se o fizer sua punição tem que estar à altura dos danos causados. continuar lendo

Concordo Daniel. Eu aplicaria a lei. Não acho errado. Isso não foi acidente. Foi intencional. Acabou com boa parte dos sonhos dela apenas para se divertir. Merecia morte, menino mimado, retardado, ridículo, mas no mínimo, ficar cego para nunca mais acertar outra moça. Porque ele fará novamente. Se deu bem. continuar lendo

@icsolimeo

E digo mais

Antes de executar sua pena, seu patrimônio será confiscado para reparar materialmente os danos sofridos.

Duvido que está mãe teria estimulado está sandice sabendo desta punição.

Certamente ela iria desencorajar o filho a tal ato. continuar lendo

Daniel, nenhum problema. Você está batendo em espantalho. continuar lendo

Recentemente aconteceu um fato em Saõ Paulo onde uma mulher foi violentada sexualmente teve 70% do corpo queimado por ácido e foi á óbito.Os autores foram presos alegaram que o principal motivo, foi ciúme de uma das mandantes do crime.Foram presosdos criminosos e levados á julgamento pegando seis anos de prisão em regime fechado enquanto a mentora foi apresestada pelo seu ADVOGAD e foi absolvida por ser réu primário e possuir bons antecedentes residência fixa.Á família da vítima está sem chão até hoje enquanto á mentora virou empresária do ramo de transporte e pastora da igreja em Campinas.Pergunto aos comentaristas: Caso fosse com algum membro de sua família qual seria sua reação? Reflitamos! continuar lendo

Eu digo por mim.

Caso aconteça algo desse tipo com minha família. Eu já teria mandado todos os envolvido comer capim pela raiz! continuar lendo

É um caso emblemático, que revela muito do machismo e da moral religiosa (absurda como todas são) levada à efeito.

Majid, ao ser sentenciado às gotas de ácido nos olhos exigiu que (o que restou) os olhos de Ameneh fossem totalmente esvaziados a fim de garantir que ela não poderia ver novamente (a fim de tornar "igualitária" a pena).

Quem acredita em religião e seus dogmas (QUALQUER religião) precisa usar exemplos como esse para avaliar as suas próprias atitudes e pensamentos, porque TODAS as religiões distorcem as percepções de moral e justiça. continuar lendo

Olhando em retrospectiva, violência e barbáries muitos piores foram perpetradas por ideologias políticas, É só olhar para o recentíssimo século XX. Portanto, moral e justiça duvidosos não são monopólio apenas das religiões. continuar lendo

@hetoneto

Henrique,

As ideologias políticas -- mesmo algumas poucas que não se aproveitaram de dogmas religiosos -- fizeram menos vítimas que as religiões. Porque as religiões agem a muito mais tempo e o tempo todo, sem parar.

De qualquer forma, assim como as ideologias políticas deletérias devem ser erradicadas, o mesmo deve ser feito em relação às religiões.
Ou seja, se devemos evitar as ideologias políticas centristas e estanques, também devemos evitar as religiões, pelos mesmos motivos. continuar lendo

John, tenho absoluta certeza que você é da área de humanas. continuar lendo

A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como sincera e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e, especialmente, não se deixar corromper pelas filosofias mundanas. Tiago 1:27 continuar lendo

John você precisa estudar um pouco mais antes de condenar TODAS as religiões. Primeiro que o homem sempre arruma uma desculpa para justificar suas atrocidades: religião, futebol, política, conquista de terra, herança... Não se pode culpar as Igrejas pelos erros dos homens. Em segundo lugar ao dizer que todas as religiões estão erradas, você está condenando uma coisa que não conhece, lembrando que nem toda religião é biblicista e cristã. Já leu o Bagavada Guita? Já estudou os livros de Kardec? Conhece a fundo o Tripitaca? Estude mais e reclame menos. continuar lendo

@cleciotdb9, @sofiacampos3344

Sofia,

Não há distinção entre "erros das religiões" e "erros humanos".
Todas as religiões foram feitas pelos homens. Portanto elas também são erros humanos.

Clecio

"Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados,
Então o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinqüenta siclos de prata; e porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias."
Deuteronômio 22:28,29

"Se alguém enganar alguma virgem, que não for desposada, e se deitar com ela, certamente a dotará e tomará por sua mulher.
Se seu pai inteiramente recusar dar-lha, pagará ele em dinheiro conforme ao dote das virgens."
Êxodo 22:16,17

É assim que a bíblia ensina como se escolhe e como se "pega" uma esposa. continuar lendo

desculpe, mas não entendi : "Majid, ao ser sentenciado às gotas de ácido nos olhos exigiu que (o que restou) os olhos de Ameneh fossem totalmente esvaziados a fim de garantir que ela não poderia ver novamente (a fim de tornar" igualitária "a pena)." onde tem isso no artigo acima? continuar lendo

@figueiramendesengenharia

Nathália,

Não está no texto deste artigo.
Eu justamente complementei com essa informação adicional. continuar lendo

John Doe, quando queremos expressar algo relativo a tempo, usamos "Há muito tempo" e não apenas "a muito tempo". continuar lendo

Me desculpe mais uma vez, mas não é "assim que a bíblia ensina como se pega uma esposa", suas referências às passagens bíblicas estão muito superficiais ao se elencar versículos descontextualizados. Sobre esse assunto tenho maior prazer em conversarmos caso seja de seu interesse, e quem mais estiver lendo, pois visões apenas interpretativas e sugestivas do texto bíblico colocam em risco as concepções de todo ser humano, antes, deveriam ser absorvidas também de forma literal e completa para um conhecimento mais abrangente.

Quanto a sua complementação do artigo, sinto uma contradição ao que foi apresentado pelo autor. Acredito, pessoalmente, que a aplicação da Lei de Talião, ou até mesmo sua simples existência nesse país, já revela muito da coerência em se fazer justiça sob o conceito da "moral religiosa" (ou humano) que você condena. De qualquer forma, percebe-se que no quesito "justiça" e/ou "punição", eles estão bem a frente do Brasil.

Fique com Deus. continuar lendo

@figueiramendesengenharia

Nathália,

As passagens que eu citei são explícitas. São mandamentos. Não são opcionais nem condicionadas a algum contexto.
O capítulo Deuteronômio define a base de todo o comportamento esperado dos crentes.
Talvez, para você, Deuteronômio está "obsoleto". Mas, nesse caso você também estará jogando fora, por exemplo, os 10 mandamentos, que fazem parte do mesmo capítulo.

A complementação que fiz ao artigo não é uma opinião minha, é apenas a descrição de um fato.
Para deixar claro, faço-lhe o favor de transcrever aqui o trecho original da matéria no jornal Whashingon Post que relata a declaração de Makid ao ser condenado:
"They must also completely empty out her eyes, since I'm not sure that she cannot secretly see," he said. "The newspapers have made this a huge case, but I haven't done anything bad."
Se você vê contradição nas palavras de Makid, isso não diz respeito a mim.

Eu estou sempre aberto à conversas sobre qualquer assunto, inclusive sobre religião.
Podemos conversar através da plataforma de sua preferência, inclusive por mensagens privadas aqui mesmo no Jusbrasil, ou por e-mail: johndoe_sp@outlook.com

Att. continuar lendo

John,

Acredito que quando se mistura política com religião haverá conflitos.

Na mesma religião que aplica a pena, existe a absolvição e vise-versa. A questão é a vivencia em sociedade.

Acredito eu que nossa sociedade só será melhor se haver respeito um pelo outro, e não tem nada melhor para garantir isso que o "medo".

O medo é uma qualidade não um defeito. continuar lendo

@bhcabrera

Bruno,

Eu discordo.

Para ficar no exemplo desse artigo, veja que os países onde a Sharia é aplicada certamente há um forte medo das punições aplicáveis. Entretanto, as próprias leis são injustas, misóginas e endossam o desrespeito.

A história é muito clara ao demonstrar que o medo não melhora o respeito recíproco. Ao contrário.
As sociedades onde há mais respeito mútuo são aquelas onde há mais educação e menos religião. Não aquelas onde a lei é mais dura e/ou onde a religião é mais presente. continuar lendo

John,

Ai entramos em outro mérito.

Em que a "ferramenta" não é o problema, mais sim quem "usa".

No quesito educação e respeito, concordo. A final a religião hoje está sendo banalizado, por esse motivo que a fé/crença cada vez mais é ridicularizado. continuar lendo

Ah sim, ao me citar o post original entendi o que quis dizer.

Agora, no que se referem as suas ponderações sobre as passagens bíblicas e meu comentário, você novamente sugestiona qual seria o MEU ponto de vista, e justamente nisso você peca, tanto aqui quanto lá. As passagens em Deuteronômio realmente são explícitas e no formato de mandamentos, e foi exatamente sobre isso que me referi no comentário anterior, lê-la literalmente. Porém esses são mandamentos ao homem que "desonrar" uma mulher! Quando você equipara esse mandamento explicito da "punição" ao homem que cometer tal pecado como ordenança de como "captar" uma esposa, você comete um erro grotesco de leitura, como eu disse antes. Portanto são condicionadas a um contexto sim! O de violar a honra/virgindade de moça solteira, tendo nesse caso, de pagar indenização ao pai ou casar-se com ela, conforme a conveniência que a família assim decidir.

Caso tenha intenção em conhecer PARTE da vontade divina sobre uma união matrimonial, sugiro continuar a leitura para bem depois de Deutoneurônio (que traz leis e punições A CRIMINOSOS E PECADORES e doutrinas a serem seguidas), como por exemplo todo o livro de Cânticos, ou em I Coríntios 7, Hebreus 13, Efésios 5, 1 Pedro 3, Colossenses 3, Provérbios 5, e em especial Provérbios 18 e o livro de Rute que conta uma das histórias de amor e casamento mais lindas das narrativas bíblicas. Temos ainda grande ensinamento quando Isaque procura por sua noiva e seu servo é levado a encontrar Rebeca no livro de Gênesis, ou como Jacó serviu por 14 anos (!!!) por amor a uma mulher esperando tomá-la por esposa, e tantos outros que podem ser minuciosamente estudados na bíblia.

Obrigada por ler até o final. Até. continuar lendo

@figueiramendesengenharia

Nathália,

A passagens que eu citei, deixam muito claro, sem qualquer margem para interpretação contextual, que um homem tem o direito de ENGANAR uma virgem, deitar com ela e a tomar como mulher. E seu o pai da mulher recusar o casamento, basta pagar por ela.

Da mesma forma, ainda em Deuteronômio, vê-se qual é o "contexto" do casamento e do direito das mulheres em relação aos homens e o que pode ser feito com elas (as mulheres):

"Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e o Senhor teu Deus os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares prisioneiros,
E tu entre os presos vires uma mulher formosa à vista, e a cobiçares, e a tomares por mulher,
Então a trarás para a tua casa; e ela rapará a cabeça e cortará as suas unhas.
E despirá o vestido do seu cativeiro, e se assentará na tua casa, e chorará a seu pai e a sua mãe um mês inteiro; e depois chegarás a ela, e tu serás seu marido e ela tua mulher.
E será que, se te não contentares dela, a deixarás ir à sua vontade; mas de modo algum a venderás por dinheiro, nem a tratarás como escrava, pois a tens humilhado."
Deuteronômio 21:10-14

Em resumo: um verdadeiro homem "de deus" pode fazer prisioneiro. E, se achar entre eles uma mulher bonita, pode levá-la para casa, deixar que passe um mês de luto e depois poderá USÁ-LA À VONTADE.
Se quiser, pode casar com ela. Mas se "não gostar" do que experimentou, pode apenas mandar embora, desde que não a venda.

Não há contextualização que permita qualquer pessoa com o mínimo de bom-senso achar bom, justo e "divino" um ensinamento desses. continuar lendo

Não foi a mesma moral religiosa que deu à vítima o direito de fazer o mesmo com o ofensor? Obviamente você desconhece que o elemento "moral" não compõe todas as religiões, tanto que há religiões amorais, ou seja, sem mandamento moral algum, como ocorre em algumas religiões de matriz africana. Não há mandamentos de ordem moral, nem diretrizes, nem nada, apenas ritos de passagem e uma referência a uma esfera do absoluto. Não bastando culpar a religião, culpa-se também o machismo (decida-se se o cara agiu por causa de religião ou machismo, atirar pra todo lado não dá). Culpar a religião ou o machismo é entender que o ofensor não tem capacidade de decidir, é entender que as pessoas são autômatos sem vontade ou possibilidade de autodeterminação. Assim, a responsabilidade pessoal por um ato sai do indivíduo e vai para algo externo a ele, que muitas vezes não ditou em absolutamente nada sua conduta, tanto que milhões de pessoas submetidas ao mesmo ambiente religioso e cultural não fazem isso (sem falar que as próprias autoridades judiciárias, sujeitas ao mesmo ambiente e influência da religião, entenderam que o ofensor merece idêntica punição). Pensar assim é que é uma profunda distorção do que seja moral, porque culpa-se outro que não o ofensor e sua liberdade de decidir pelo mal e liberdade de agir. Por fim, há aproximadamente 57.000 religiões no mundo, passando por infinitas vertentes do hinduísmo, do budismo e cristianismo, fora o número de religiões na Ásia e África. Para dizer que TODAS as religiões distorcem as percepções de moral e justiça exigiria conhecer TODAS elas e mostrar de que forma tais distorções ocorrem. Como você - e nem ninguém - tem capacidade de conhecer 57.000 religiões, sua afirmação é sua um flatus vocis, de quem odeia a religião, sem, claro, saber bem ao certo o que odeia. continuar lendo

@rafaelguimaraes2

Rafael,

Atacar a mim não o ajuda a atacar meus argumentos.
Ao contrário, demonstra bem claramente quem de nós dois (entre outros aqui) tem discurso de ódio.

É possível dizer que todas as religiões distorcem a moral porque todas as religiões possuem dogmas.
E onde há dogma não há espaço para avaliação e desenvolvimento crítico. Portanto, não há espaço para evoluir o pensamento.

Os exemplos que e trouxe (da bíblia) exibem um código moral grotesco, abominável. E são mandamentos!
Mas a sociedade cristã ocidental é (felizmente) cínica. Aceita os dogmas cristãos quando convém, e os ignora quando necessário.
Por isso os mandamentos bíblicos não são aplicados aqui (felizmente).

Entretanto, em países onde essa mesma moral (bíblica) é aceita como a "verdadeira palavra de deus", as pessoas permitem-se usá-la para suas práticas de malfeito, tendo "as leis divinas" como suporte para suas ações.

Tenho certeza que isso é bem claro, inclusive para você.

Então, resta que os crentes ocidentais olhem com o mesmo olhar crítico para as suas religiões e aquilo que elas ensinam.
Porque assim como Majid tem certeza que a religião dele só tem coisas boas (mas está errado), qualquer outro crente precisa ter a noção de que pode estar no mesmo barco, em relação às suas próprias crenças. continuar lendo